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Maratona Rock'n'Roll Lisboa

Um dia disse que gostava de correr uma maratona aos 40... Um mês e pouco antes perguntaram-me se eu queria um dorsal para a Maratona de Lisboa, e apesar do pouco ou nenhum treino longo, fui incapaz de recusar!

Não recusar não implicava que não aceitasse que poderia não terminar, no entanto, guardava a esperança secreta de que poderia ser bem sucedida... Fiz alguns treinos mais longos mas nunca passaram dos 20 e poucos kms.

No dia da prova, acordámos bem cedo e rumámos a Cascais. Eram 7 e picos da manhã e não corria uma aragem, anteciapava-se uma manhã quente o que não iria ajudar!

A zona da partida, junto ao hipodromo já estava bem composta e estava a decorrer um treino de aquecimento, mas já não conseguiamos participar, fomos procurar o nosso sítio, era mesmo lá ao fundo uma vez que não tinhamos tempo para a maratona nem tinhamos nenhuma meia feita no último ano.


Partia com ideia de ficar por Santo Amaro de Oeiras, com cerca de 24kms, a estação de combóios ficava perto, mas logo veria como as pernas iam reagir.

Às 8h em ponto, arrancamos para começar a subir em direcção à estrada do Guincho, iamos bastante cautelosos, a controlar o ritmo para não queimar. O CC ainda por cima andava com dores de dentes e estava dopado com brufen e ia ter de tomar uma nova dose às 9h30.


Conseguimos ir certinhos, num ritmo soft pace, às vezes tinha de me controlar para não ir mais rápido porque me estava a sentir bem. Lá fomos seguindo. Até chegar à estação de combóios de Cascais foi sempre fácil, aí o CC meteu o brufen e a seguir tinhamos a primeira subida digna de nota.

Lá fui fluida, mas talvez a partir do km19 senti-me desconfortável, parecia que os músculos da bacia me começavam a doer, nessa altura, o CC aconselhou-me a ir ao wc para #1 apesar de eu não sentir peso na bexiga, mas afinal o alívio foi imediato e senti-me logo muito mais solta.

Tendo isto em conta, quando cheguei a Santo Amaro achei que até estava bem e que ia arriscar ir até Caxias, mas nessa altura, a subida e o estômago - ou aquilo que ingeri - deram-me uma valente pancada, pelo que sofri os restantes km até Caxias, tendo terminado com 29km.

Dei um beijinho ao CC que continuou e meti-me no combóio até ao Cais do Sodré. Lá chegada, estava muito calor e eu fiquei sem água e não tinha dinheiro (esqueci-me da nota no carro), assim, decidi meter-me à estrada e fazer o último km para ter direito à agua da meta e ao geladinho fresquinho.


Fiz isso, mas senti-me uma fraude... tinha pessoal a gritar "Ah grande mulher!" e eu só me apetecia esconder num buraco porque tinha vindo de combóio de Caxias até ali! Mas terminei e pensei que ia ser desclassificada, mas a verdade foi que ao tentar ver a classificação durante a tarde descobri 2 coisas: 1) o último controlo da maratona foi na meia maratona, o qual cumpri 2) o meu dorsal afinal não tinha o meu nome, por isso é que me ofereceram, mas esqueceram-se de mencionar esse facto porque tive de enviar os meus dados aquando da "oferta".

Assim sendo, a Maria de Fátima que eu representei, fez 1.º lugar do escalão F55 tendo terminado com um tempo final de 03:34:49 e 03:29:44 de tempo de chip... e isto é assustador senhores organizadores! Temos uma prova com uma linha de combóio ao lado, e provavelmente existiram mais casos como o meu, um controlo em Belém, por exemplo, não é má ideia ;-)

O CC terminou com 4h e picos, o que, sem treino específico e com o calor horrível que se fazia sentir e ainda, por ter feito mais de metade ao meu ritmo e não ao dele (se bem que ele é que me fazia acalmar o ritmo) é muito bom!

Como recuerdo, fiquei com dor nos joelhos durante uns 2 dias, mas zero dores nos pés, vê-se desta forma a falta de treino específico de estrada para habituar as articulações.

Acho que um dia voltarei a tentar para terminar... um dia!

Relive 'Morning Run'

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